Uma história de força e superação.

Quem é GILBERTO MELO

Nascido em 25 de abril de 1980 em Paulistana, um pequeno município no interior do Estado do Piauí que hoje em dia tem aproximadamente 20 mil habitantes, Gilberto de Sá Melo tinha a sua volta um cenário pouco favorável ao sucesso. Ele morava na zona rural do município, no povoado chamada Juazeiro do Secundo. A secura da caatinga, o sol quente do semiárido, uma educação precária e as limitadas opções de trabalho poderiam traçar um futuro sem grandes conquistas. Mas para Gilberto Melo foi diferente. Embora tenha orgulhoso da sua origem humilde, ele numa se acomodou com a realidade onde vivia e partiu em busca de crescimento.

 Suas raízes

UMA HISTÓRIA MARCADA POR DECISÕES DE CORAGEM

Seu perfil comunicativo e disposição o conduziram às primeiras oportunidades de trabalho da sua vida. Gilberto é o mais velho entre os seis filhos de Rosália Joana e Francisco Pereira de Melo, mais conhecido como Chico de Fausto. Chegou pela primeira vez em Petrolina em maio de 1996, pouco depois de completar 16 anos. Foi lavador de peças, ajudante de pedreiro, auxiliou na construção de algumas obras, como a valeta que levava água para ao município de Dormentes. Foi também ajudante de soldador numa metalúrgica. Neste último, pelo seu bom desempenho, recebeu um convite para trabalhar em Recife, assumir uma vaga de operador de máquinas numa empresa de distribuição de combustíveis. Jovem, determinado e com muita vontade de vencer na vida, ele partiu rumo a capital. Mas, para sua surpresa, ao chegar lá Gilberto recebe a notícia de que a vaga prometida não estava mais disponível, pois o funcionário que havia pedido demissão voltou atrás e continuou no seu posto.

“Na hora eu fiquei sem saber o que fazer. Só estava com o dinheiro contado da passagem no bolso, sem parentes, numa cidade grande. Mas Deus não me abandona nunca”, lembra Gilberto.

Ainda meio desorientado, Gilberto já estava quase saindo da empresa, quando o proprietário pediu que ele retornasse e lhe fez uma proposta: “No momento só temos emprego de zelador. O que me diz?”, perguntou o proprietário. Sem pestanejar, Gilberto respondeu: “Na hora. Por onde eu começo?”.

Em pouco tempo os chefes de Gilberto notaram a sua competência e lhe fizeram propostas de trabalho que o fizeram subir de nível. Ela agarrou todas elas com muito foco e competência. Depois de passar por todas as funções operacionais da empresa, Gilberto chega à gerência, e passa a ser responsável por todo o comando de carregamento e distribuição de combustíveis. E lá se foram 11 anos nesta atividade. Nesse período nasce o seu primeiro filho, Gilberto Victor, hoje com 12 anos, fruto do seu primeiro relacionamento. E durante este tempo nunca deixou de vir a Petrolina, pois nutria pela cidade um sentimento de admiração e carinho pela maneira como foi recebido pelas pessoas da cidade.

Quando sua vida parecia estar estabelecida na capital, a empresa onde ele havia se dedicado por mais de uma década seria arrendada. Os novos administradores, visando reduzir custos operacionais, fizeram uma proposta salarial muito inferior, que reduziria mais da metade do que Gilberto Melo recebia. Por não considerar a proposta justa, Gilberto não fez acordo. Era hora de buscar novos horizontes de trabalho. Era hora de voltar a Petrolina.

 

O REGRESSO À PETROLINA E A UNIÃO DOS IRMÃOS

Gilberto juntou todas as contas que recebeu do trabalho e veio para Petrolina com duas ideias fixas na cabeça: “Vou investir em um negócio na cidade e trazer os meus irmãos para perto de mim”. E foi exatamente o que ele fez.

Um dos primeiros investimentos foi um ponto de táxi em frente ao Hospital Dom Malan, que o fez ser taxista por muitos anos. “Nesse trabalho eu conheci muita gente, tive contato direto com as pessoas, e fiz muitas amizades. Me orgulho bastante de ter sido taxista, e até hoje mantenho este ponto na cidade”, lembra Gilberto.

Outro investimento foi uma borracharia para carros, negócio que lhe rendeu o apelido de “Burracha”, usado por muitos amigos até hoje. Essa mesma borracharia seria passada para um dos irmãos pouco tempo depois.

Tão logo começou a ganhar dinheiro, Gilberto comprou terreno, construiu sua casa e começou a trazer os irmãos de Paulistana para Petrolina, oferecendo a eles moradia e oportunidade de emprego. Em 2012 trouxe a primeira uma irmã, depois um irmão. Em seguida vieram mais duas irmãs. Apenas uma delas continuou na cidade natal, junto dos pais, que são apegados demais à região onde moram.

“Deus foi abrindo as portas e graças a Ele eu pude trazer todo mundo já com uma estrutura pra recebê-los, e um trabalho para fazer. Muito diferente de quando eu cheguei aqui, passando dificuldades. Aos pouquinhos eu fui engatilhando a vida de cada um deles. Fico muito satisfeito em tê-los ajudado. É pra isso que serve a família”, defende.

 

O INÍCIO DA VIDA POLÍTICA

Gilberto sempre gostou de ter contato com as pessoas, de interagir e ajudar a quem precisa. Mas ser político não foi uma ideia cultivada desde cedo na sua vida.

O seu interesse surgiu depois das eleições municipais de 2012. Nesse período ele conheceu a sua atual esposa e companheira de luta, mãe da sua filha, a pequena Mariah Esther Melo, que iria desempenhar um papel fundamental para o seu direcionamento político até hoje.

Ambos resolvem ajudar um amigo a disputar as eleições de vereador em Petrolina neste mesmo ano. Embora tenha recebido uma votação considerável, esse amigo não conseguiu se eleger e se entristeceu com a disputa eleitoral, afirmando que não iria mais se candidatar.

Para não se perder todo o trabalho de campo que foi realizado, Gilberto toma uma decisão: iria se candidatar nas próximas eleições.

“Sempre gostei de fazer o social. A simplicidade e a dificuldade que eu tive eu também vi aqui  em Petrolina em muitas pessoas. Então, quando surgiu esta oportunidade de ser vereador, eu pensei: Rapaz eu vou entrar nesse danado pra saber onde vai dar”.

Em 2016, já com a ideia formada na cabeça, Gilberto ainda precisava de algo que ele considerava fundamental: ter a autorização e aprovação do seu pai. Para isto, Gilberto foi até o Piuaí, juntou a família e parentes mais próximos para um almoço durante a Semana Santa, e fez o pedido formal para o pai, na frente de todos.

Gilberto disse: “Pai, nós já temos um trabalho social em Petrolina, e vejo que as pessoas precisam de uma liderança para orientá-las melhor. Quero ser vereador de Petrolina, mas quero que o senhor autorize.”

A reação do seu pai foi imediata: “Filho meu na política jamais. ‘Pro’ povo ficar chamando de ladrão, cabra safado, mentiroso, eu não aceito!”, esbravejou Sr. Francisco e logo saiu da mesa, tocando o pé para a roça.

Só no finzinho da tarde o Sr. Francisco apareceu. Enquanto tocava o rebanho de cabritos e vacas de volta para o curral, Gilberto foi chegando de mansinho, com jeito, e os dois conversaram abertamente sobre a proposta. “Meu filho, é isso que você quer? Você tem mesmo condições de tocar esta campanha?”

Ao que Gilberto respondeu: “Pai, o que tenho hoje da pra gente se sustentar, fazer a feira, não dependo de política. Agora eu quero ajudar outras pessoas, quero fazer um trabalho diferente.” E foi assim que ele conseguiu a autorização do seu pai para ser candidato.

Era a benção paterna que Gilberto precisava para seguir firme no seu novo desafio de vida. Com muito trabalho, dedicação e atenção às demandas das pessoas, Gilberto Melo foi eleito em 2016 com 2.581 votos válidos.

Um estreante na política, disputar com 402 candidatos, ficar em 9º colocado, sem nunca ter sido presidente de bairro, assessor de deputado ou prefeito. Para todos, inclusive para seu pai, um motivo de notoriedade e orgulho.

Assim, Gilberto Melo começa a escrever um novo capítulo da sua vida. Mas este é apenas o começo de um futuro promissor.